A evolução da consciência está acelerando | E isso vai mudar tudo

A história da ciência moderna habituou-nos a enxergar a evolução como um processo puramente mecânico, biológico e focado na sobrevivência das espécies por meio da seleção natural. No entanto, quando observamos o panorama cósmico em larga escala, percebemos que a biologia muda constantemente o contexto em que a evolução ocorre. Na espécie humana, esse mecanismo atinge o seu ápice adaptativo e sofre uma metamorfose ontológica, passando para um novo domínio onde a mudança não ocorre mais apenas na maquinaria atômica e biológica da existência.

Para compreender a direção desse fluxo cósmico, é preciso mapear a sua estrutura. A evolução ocorre em quatro estágios distintos, porém interdependentes: o físico (a organização da matéria a partir do Big Bang), o biológico (o surgimento e diversificação da vida), o mental (o despertar da autoconsciência e do intelecto humano) e o espiritual (a comunhão mística e a transcendência).

Uma das características mais impressionantes dessa escala é a sua dinâmica temporal: cada estágio é muito mais breve do que os anteriores. Isso ocorre já que a evolução é um processo cumulativo que se acelera exponencialmente e, portanto, mudanças cada vez maiores ocorrem em cada vez menos tempo. O universo levou bilhões de anos para estabilizar as primeiras células vivas; a biosfera levou centenas de milhões de anos para gerar os primeiros mamíferos; a mente humana levou alguns milhares de anos para criar a civilização global; e o domínio espiritual desdobra-se em saltos quânticos de percepção instantânea.

Existe uma correlação direta entre a forma material e a capacidade cognitiva: quanto maior a complexidade das formas que emergem na realidade física, maior é a consciência manifesta. Assim, a evolução não é um acidente caótico e cego, mas uma ascensão em direção à consciência, e deve culminar, adiante, em algum tipo de consciência suprema.

Essa culminação começa a tomar forma palpável no nosso planeta através daquilo que o paleontólogo e filósofo Pierre Teilhard de Chardin denominou de Noosfera. A evolução emergente de uma consciência humana coletiva no planeta Terra gerou uma terra pensante, que se sobrepõe à geosfera (a matéria inanimada) e à biosfera (a vida orgânica). A noosfera é uma esfera de pensamento e energia que circunda a Terra, uma teia invisível mas hiperdensa formada pelas mentes humanas interconectadas, pelas nossas ideias, tecnologias, comunicações e aspirações espirituais.

À medida que a evolução prossegue, a noosfera adquire maior coerência. Essa teia não está enclausurada na nossa atmosfera; ela se expande além do nosso planeta para o universo, integrando a Terra no grande tecido inteligente do cosmos. Por fim, em seu estágio maduro, a noosfera alcança o domínio total sobre a biosfera onstituindo um ser metafísico denominado Ponto Ômega.

O ponto ômega é o fenômeno avassalador no mundo do espaço e do tempo tridimensionais, o fim da história, ou o fim dos tempos, e isso signfica que a evolução termina em uma singularidade, em um ponto finito no tempo. Todos os elementos pensantes da Terra, individual e coletivamente irão convergir em um superarranjo, uma gigantesca operação psicoespiritual e no final dos tempos, a interconectividade da humanidade aumenta de tal forma, levando eventualmente a uma complexidade infinita.

Não se trata da destruição das individualidades, mas de sua hiperpersonalização: assim como as células do nosso corpo não perdem sua identidade ao formar um tecido, as consciências humanas se unem em uma sinfonia coletiva, despertando o Cristo Cósmico ou a Mente Una do Planeta. A evolução é frequentemente acompanhada por mudanças repentinas de estado, tal como na água que se transforma em gelo, e essa é uma mudança de estado que envolve não apenas complexidade molecular ou atômica, mas também interiorização e no âmbito da consciência, a mudança de estado segue um processo de centração ou compressão.

Para compreender a mecânica oculta desse fenômeno, devemos recorrer à etimologia e à metafísica esotérica. A própria palavra evolução carrega consigo em sua raiz a necessidade absoluta de uma involução prévia. Nada pode evoluir (desdobrar-se para fora) se não tiver primeiro involuído (recolhido-se para dentro). A evolução é o movimento exterior da ausência de forma para a forma — o Espírito descendo na matéria para experimentar a limitação e a multiplicidade —, ao passo que a involução é o retorno à nossa fonte divina, a jornada de volta para casa onde a matéria se espiritualiza e reconhece a sua origem.

O processo dialético de involução e evolução da consciência conduz, inevitavelmente, ao surgimento daquilo que o filósofo Sri Aurobindo chamou de Supermente. A Supermente, idêntica ao Ponto Ômega teilhardiano, constitui o nível além do plano mental comum. A mente humana atual é fragmentada, sujeita à dúvida, ao erro e à separação; a Supermente é a consciência da verdade pura, uma inteligência holística que opera por meio da identidade direta com o Todo.

É somente mediante a aproximação e a chegada da Supermente descendente que ela poderá ser libertada na Terra e revelar-se na ação das partes materiais, vitais e mentais, de modo que esses poderes inferiores possam tornar-se partes de uma atividade total e divinizada de todo o nosso ser: é isso que nos trará uma divindade plenamente realizada, ou a vida divina.

Leitura:

  • -Henri Bergson (1907). Creative evolution.
  • -Aurobindo Ghose (1949). The supramental manifestation.
  • -Pierre Teilhard de Chardin (1955). The phenomenon of man.
  • Pierre Teilhard de Chardin (1964). The future of man.
  • Pierre Teilhard de Chardin (1969). The human energy.
  • -Ken Wilber (1981). Up from Eden.
  • -Terence Mckenna (1994). Timewave zero.
  • -Morpheus (2006). Transformation der Erde. Interkosmische Einflüsse auf das Bewusstsein.
  • Sergey Smelyakov & Yuri Karpenko (2006). Auric time scale.